Friday, December 30, 2005

Onde estava no 11 de Setembro?


11 Setembro 2001 - 12h00
- Passeando na Baixa depois de uma manhã frenética à procura de um apartamento;
- Cyber café em Picoas, mas imposssível abrir qualquer página da internet;
- Centro comercial: Lojas de televisores cheios de pessoas;
- Vislumbre de algumas imagens ao de longe: julgo ser mais uma estreia hollywoodesca de mau gosto;
- Chegada a casa e o rebuliço de notícias e a consequente queda do WTC em directo;

O 11 de Setembro marcou o virar do século XXI e transformou-se no grande acontecimento mediático do ano. Tratava-se de um terrorismo em directo marcado pela apatia mediática de algo que não aconteceu, mas que está a contecer neste preciso momento. É o terrorismo da era moderna de grande impacto com resultados excepcionais. Todos os seus objectivos foram atingidos e mais alguns: atingiram os Estados Unidos no seu próprio território, chamaram a atenção do mundo para a sua causa, horrorizaram milhões de pessoas em todo o mundo e conseguiram um atentado em directo.

A informação correu mundo em apenas minutos graças à nossa "aldeia global" em que todos estamos ligados uns aos outros. Al Qaeda também sabia disto e aproveitou esta aldeia simpática para fazer passar a sua mensagem.

Passou a fazer parte da história comum de todos nós e cada um lembra-se onde estava no momento em que as notícias chegavam a este lado do atlântico. A Era Digital é esta velocidade e instantaneidade da comunicação e não separa o trigo do joio. A facilidade em chegar a qualquer sítio ou fazer qualquer coisa está à distância de um simples clique: aprender a pilotar um avião contra o WTC ou procurar uma receita de bacalhau nova. Tudo está aqui, já não está longe, está aqui mesmo naquele blogue, naquela página ou naquela conversa online.

O 11 de Setembro marcou o mundo pela forma como vemos os que nos rodeiam. Tal como os vírus e os hackers na internet o terrorismo na era global está em qualquer lado. Entra pelas nossas portas digitais e reais ultrapassando as barreiras do fisicamnte possível. O mundo moderno é esta nova possibilidade de entrar na casa uns dos outros tanto para o bem como para o mal.

actualizado a 31.12.2005

Thursday, December 01, 2005

Criatividade a mais?



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Creativity
is a human mental phenomenon based around the deployment of mental skills and/or conceptual tools, which, in turn, originate and develop innovation, inspiration, or insight.
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Esta capacidade de encontrar soluções inovadoras para problemas difíceis caracteriza o ser humano e faz parte da nossa evolução. A separação entre homem e animal é a capacidade de pensar e encontrar soluções aos diversos problemas quotidianos. A Criatividade é essa capacidade de encontrar uma solução de forma diferente e inusual.


A Internet apresenta cada vez mais problemas que exigem mais e maior inovação e criatividade. O potencial da Internet aumenta diariamente e as ferramentas de hoje não serão as de amanhã. Procuram-se criativos que sejam capazes de "desaprender" e pensar tudo de novo. Os modelos antigos não são aplicáveis a este novo universo. A criatividade não passa apenas pela exploração de novas ideias ou serviços/produtos, mas pela aculturação da própria lógica e funcionamento em rede. Cada vez temos de pensar em comunidade e deixar os egoísmos de lado. A Internet graças à sua interactividade faz com que todos dependamos uns dos outros para ver, consultar, criar, pagar, informar...


A criatividade que procuramos é aquela que nos permite ver o impossível mas mesmo assim encontrar uma explicação ou uma lógica. A inteligência humana desenvolve-se através dos diferentes estímulos que os instrumentos lhe proporciona.


Nos dias de hoje a genialidade reside na constante inquietação.

actualizado a 31.12.2005

Wednesday, November 30, 2005

Relações Interpessoais: um novo paradigma?

O surgimento de Novas tecnologias foi sempre sinónimo de aparecimento de novas formas de comunicar. Quer pensemos nas pinturas rupestres ou na invenção da prensa gráfica por Gutemberg, acabamos por chegar à conclusão que o fenómeno "comunicação" nunca esteve parado no tempo. Evoluiu.
O que dita esta evolução é a simplicidade ou a complexidade que a linguagem pode adquirir, independentemente da forma ou ainda do conteúdo, mas tão simplesmente a possibilidade. A possibilidade de enviar uma folha de papel para o outro lado do atlântico, a possibilidade de juntar uma fotografia, uma gravação audio/video... Estas novas adições caracterizam a forma de como comunicamos.
Com o surgimento da Internet, estas possibilidades foram mais uma vez expandidas. A possibilidade era agora de agregar todas as já existentes numa só com a introdução de novas possibilidades. A redundância à volta da palavra "possibilidade" é necesária já que é à volta desta que as relações interpessoais se desenvovem. É o "poder" fazer alguma coisa mais do que simplesmente enviar uma carta pelo correio. Na nova era da digitalização o papel foi substituido pelo ecrã e a caneta pelo teclado.
Mas, chegados a este ponto, a comunicação foi simplificada ou tornou-se mais complexa? Num chat, vemos que a própria linguagem foi simplificada [abreviada], mas num relato de futebol num diário desportivo online testemunhamos a uma complexidade de signos e sinais de forma a fazer transparecer uma série de emoções e sentimentos. A própria linguagem escrita desenvolveu-se: simplicidade ou complexidade.
Podemos mesmo definir a internet como um "meio híbrido"
[1] com a capacidade de juntar todas estas possibilidades.
A internet, no que diz respeito às relações interpessoais, constitui a nova forma de comunicar com o advento dos chats, weblogues, páginas pessoais, onde o nível de complexidade ou simpliciadade é à escolha de quem transmite a mensagem.
Numa sociedade em rede e com tantas possibilidades comunicacionais, será possível a internet anular as relações pessoais IRL [in real life]? Esta preocupação é compreensível. Mas certamente que também foi colocada aquando do surgimento da escrita, do telefone, da rádio, da televisão, numa reacão inicial de choque com os conceitos pré-estabelecidos.
A internet nunca poderá substituir o contacto físico, mesmo com a “possibilidade” de uma realiadade virtual. Tudo depende do nível de complexidade que queiramos desenvolver com o outro. Esta pode contribuir para aprofundar ou distanciar: uma pessoa que, IRL, apenas comenta o tempo com outra pode, num contacto virtual e desinibida da complexidade da interacção humana, chegar a desenvolver uma relação de amizade. Quantas vezes demos por nós a “falar” dos nossos sonhos e aspirações no messenger com alguém que raramente falamos?
O ser humanos é um ser demasiado complexo para se restringir a um único canal de comunicação. A complexidade das relações humanas [e aqui falamos no nível mais elevado das relações amorosas] procura a possibilidade de um contacto físico.
A internet, por mais complexa que seja ou que venha a ser, nunca nos permitirá simular a vida real.


[1] “El medio-portal y los canales de actualidad”, Dra. Elvira García de Torres, Universidad Cardenal Herrera-CEU Valencia

Friday, November 25, 2005

Google: a “aglootinação”?

Salvo raras excepções, passamos a vida à procura de algo. Este algo, muitas vezes indefinido e incerto, fez com que surgissem ajudas que nos guiassem pelo caminho do desconhecido e da descoberta. Daí o nascimento do motor de busca Google.

A palavra Google é, hoje, a mais pesquisada na internet. Este facto remete-nos para a importância que este motor de busca tem na internet, tendo sido considerado mesmo como uma revolução silenciosa que mudou a forma como vemos a internet. A própria expressão google passou a ser sinónimo do acto de procura ou de pesquisa na internet passando a ser já uma forma coloquial na língua inglesa.

Mas o sucesso do google parte do pressuposto de uma informação organizada tendo como base um sistema de ranking das páginas e que atribui a cada um uma cotação dentro deste. Apesar de todas os desenvolvimentos que o Google trouxe para o universo da internet, algumas vozes se levantam contra esta hegemonia ou pela falta de eficácia da relevância do próprio motor de pesquisa. No caso de uma pesquisa deste blogue apenas o Google o encontra já que se encontra já na sua base de dados.

Resta tentar perceber como uma simples ferramenta de pesquisa consegue entrar nas nossas vidas e tornar-nos dependentes dela. Num mundo cada vez mais informatizado e informado o grande desafio reside na escolha/selecção das nossas fontes de informação. E todos sabemos [ou temos conhecimento através da história] que o monopólio de um sobre os outros não constitui a melhor forma de desenvolvimento de uma sociedade. Qual a legitimidade que tem o Google para me dizer aquilo que é o não mais importante? Na realidade o sucesso do Google de cada um nós e do esforço que fazemos diariamente em colocar as nossas páginas em melhor posição.


Nós somos os culpados! A hegemonia do Google apenas existe graças aos milhares de utilizadores que diariamente utilizam este motor de busca. E como cada vez mais se torna popular, maior será esta hegemonia.

My name is Chester and I am a googleholic. It has been 45 minutes since my last Google.

Recentemente ouviu-se falar num motor de busca inovador de origem francesa cujo principal objectivo é o de competir com o Google: o QUAERO. Esta necessidade de encontrar um equilíbrio na dinâmica desta nova revolução digital é legítima porque acredita a preocupação pelo problema do controlo das fontes de informação.

actualizado a 30.12.2005

Tuesday, October 25, 2005

Telepizza: recuperar o tempo perdido...

A mente digital caracteriza-se pelo domínio aprofundado das novas tecnologias da informação e da comunicação, numa constante procura de conhecimento sustentado pela velocidade e instantaneidade.
Veja-se a necessidade desta rapidez no simples gesto da encomenda da pizza. Quer se chegue tarde do trabalho, um serão de trabalho com os colegas ou um simples derby na televisão, a pizza entrou nas nossas vidas tão depressa e já faz parte da essência da rentabilização máxima do tempo.
Existe todo um ritual à volta da “encomenda da pizza”. Um autêntico cerimonial: reunir a família/amigos/colegas, ver as promoções, chegar a um consenso sobre os ingredientes e eleger o “mestre-de-cerimónias” que vai fazer o telefonema.
Terminada a chamada e a ligação com o universo do extra queijo e das anchovas segue-se, então, a dimensão do tempo de espera: os 30 minutos. A espera que nos separa do pizza transforma-se em tempo indispensável para a organização das nossas vidas. Já não concebemos o mundo sem estes minutos para fazer outra coisa qualquer desde que não seja o jantar. Este tempo passa a ser só nosso. Durante aquele curto espaço temporal não existem preocupações com o quotidiano mundano das nossas vidas, ultrapassamos a fronteira das necessidades biológicas para outra dimensão. Até ao toque da campainha tomamos nas mãos as rédeas da nossa existência.
Para quem vive no auge da velocidade de pensamento e de acção isto pode parecer um contra senso. A instantaneidade perdeu o seu valor. Quando a chamada é feita, temos a esperança que, à chegada da massa fermentada, tudo está resolvido. Esta é a facilidade da pizza em 30 minutos: a de resolver todos os nossos problemas ou a esperança que resolva. É a ilusão da vida moderna, fugaz e cheia de lamentações. A de que o tempo pode ser estendido conforme o nosso desejo.
Numa sociedade cada vez mais global em que as fibras ópticas suplantam as alimentares, a velocidade marca o passo. Tudo gira à volta da rapidez de execução: o jantar, o trabalho, a construção do conhecimento, etc.
Ao final do dia e esgotadas as 24 horas já pouco ou nada se pode fazer. Já não há pizza que prolongue o dia. Os 30 minutos terminaram e o que está à nossa frente é uma caixa de cartão vazia com migalhas do que outrora fomos ou poderíamos ter sido.
Vivemos cada vez mais intensa e rapidamente as nossas vidas esquecendo-nos que temos um prazo de validade.
Tal como a pizza que, fria, não tem o ar apetitoso do dia anterior.

Thursday, October 20, 2005

Telemóveis e nós

As estatísticas mostram que quase a totalidade dos portugueses já tem um telemóvel e que para muitos o segundo telemóvel é algo banal. Este instrumento entrou de rompante nas nossas vidas e ficou. Tomou o lugar de outros e conquistou o lugar nos nossos bolsos. Como olhar para esta revolução de ecrãs coloridos, tampas amovíveis e toques polifónicos? Na verdade, telemóvel salvou-nos do caos da não comunicação, e, como sabemos, “é impossível não comunicar”. Hoje podemos acrescentar “em todo o lado”. A possibilidade de uma comunicação “always on” é algo que já não assusta, até já nem conseguimos imaginar a vida sem o toque ou a sms para dizer que estou aqui, lá ou onde quer que seja, mas presente...

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Maria deixou o telemóvel em casa. Só este facto deixaria qualquer um em pânico, mas a história de Maria continua. Foi para o trabalho, passou a manhã em sobressalto porque o telemóvel podia tocar. Não trabalhou. Pensou no telemóvel que tocava, sozinho no móvel da entrada. Pouco antes do almoço telefona ao marido a perguntar se pode passar por casa para trazer o telemóvel, mas não tem essa sorte. Depois de almoço telefona ao amigo A para pedir o número de B para saber se C tentou falar com ela. Nada. Nem uma notícia. Imagina que está a perder A CHAMADA. Algo importante que não pode perder, tudo depende se atende ou não atende a chamada. Pensa no telemóvel que toca e a vibração fá-lo cair do móvel e abrir-se em mil compostos. Aí não poderá ver quem chamou. Ficará sempre na dúvida. Sai mais cedo. Chegada a casa descobre para seu espanto que ninguém lhe ligou.

Não há uma única chamada a pedir resposta ou o sinal intermitente de uma sms não lida. O stresse é agora maior.

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Esta história não pressupõe uma moral, apenas reflecte a nossa necessidade de comunicar e dependência que temos dos meios que temos à nossa volta. Antes um simples telefone caseiro era o suficiente para os recados do dia-a-dia. Hoje tudo é um potencial comunicativo: a fila de trânsito, a pausa no café, a ida ao supermercado... Saímos de casa para fazer tudo. Mas as revoluções nas mentalidades passam sempre por estes pequenos gestos: opor o polegar aos restantes dedos da mão ao simples movimento deste sobre os dígitos. Esta é a capacidade inerente ao homem de criar novos instrumento para a comunicação. O telemóvel abriu as portas para a possibilidade de estar sempre ligado a todos e em todo o lado. A liberdade para estar em todo o lado. A exigência de mobilidade e de interactividade nesta nova era digital nasceu com o telemóvel.

actualizado a 30.12.2005