Wednesday, November 30, 2005

Relações Interpessoais: um novo paradigma?

O surgimento de Novas tecnologias foi sempre sinónimo de aparecimento de novas formas de comunicar. Quer pensemos nas pinturas rupestres ou na invenção da prensa gráfica por Gutemberg, acabamos por chegar à conclusão que o fenómeno "comunicação" nunca esteve parado no tempo. Evoluiu.
O que dita esta evolução é a simplicidade ou a complexidade que a linguagem pode adquirir, independentemente da forma ou ainda do conteúdo, mas tão simplesmente a possibilidade. A possibilidade de enviar uma folha de papel para o outro lado do atlântico, a possibilidade de juntar uma fotografia, uma gravação audio/video... Estas novas adições caracterizam a forma de como comunicamos.
Com o surgimento da Internet, estas possibilidades foram mais uma vez expandidas. A possibilidade era agora de agregar todas as já existentes numa só com a introdução de novas possibilidades. A redundância à volta da palavra "possibilidade" é necesária já que é à volta desta que as relações interpessoais se desenvovem. É o "poder" fazer alguma coisa mais do que simplesmente enviar uma carta pelo correio. Na nova era da digitalização o papel foi substituido pelo ecrã e a caneta pelo teclado.
Mas, chegados a este ponto, a comunicação foi simplificada ou tornou-se mais complexa? Num chat, vemos que a própria linguagem foi simplificada [abreviada], mas num relato de futebol num diário desportivo online testemunhamos a uma complexidade de signos e sinais de forma a fazer transparecer uma série de emoções e sentimentos. A própria linguagem escrita desenvolveu-se: simplicidade ou complexidade.
Podemos mesmo definir a internet como um "meio híbrido"
[1] com a capacidade de juntar todas estas possibilidades.
A internet, no que diz respeito às relações interpessoais, constitui a nova forma de comunicar com o advento dos chats, weblogues, páginas pessoais, onde o nível de complexidade ou simpliciadade é à escolha de quem transmite a mensagem.
Numa sociedade em rede e com tantas possibilidades comunicacionais, será possível a internet anular as relações pessoais IRL [in real life]? Esta preocupação é compreensível. Mas certamente que também foi colocada aquando do surgimento da escrita, do telefone, da rádio, da televisão, numa reacão inicial de choque com os conceitos pré-estabelecidos.
A internet nunca poderá substituir o contacto físico, mesmo com a “possibilidade” de uma realiadade virtual. Tudo depende do nível de complexidade que queiramos desenvolver com o outro. Esta pode contribuir para aprofundar ou distanciar: uma pessoa que, IRL, apenas comenta o tempo com outra pode, num contacto virtual e desinibida da complexidade da interacção humana, chegar a desenvolver uma relação de amizade. Quantas vezes demos por nós a “falar” dos nossos sonhos e aspirações no messenger com alguém que raramente falamos?
O ser humanos é um ser demasiado complexo para se restringir a um único canal de comunicação. A complexidade das relações humanas [e aqui falamos no nível mais elevado das relações amorosas] procura a possibilidade de um contacto físico.
A internet, por mais complexa que seja ou que venha a ser, nunca nos permitirá simular a vida real.


[1] “El medio-portal y los canales de actualidad”, Dra. Elvira García de Torres, Universidad Cardenal Herrera-CEU Valencia

1 Comments:

At 11:01 AM, Blogger Rui Marques said...

Bem, sobretudo na linha da complexidade humana que exige muito mais do que qualquer tecnologia pode dar, nunca desperdiçando no entanto tudo o que estas podem viabilizar..

 

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